Crítica do espetáculo “Devorações”, da Companhia 8 de dança (No Centro Cultural São Paulo, dia 21.05.11)
O que é louvável: a consciência corporal dos dançarinos. A música, minimalista, simples, mas presente, autoral, genuína. Também destaco suas coreografias não coreográficas - faço-me entender: há uma superação ao que se chamava coreografia/partitura corporal quanto à sua forma, padrão, gênero. Cria-se um novo gênero de partitura corporal; uma série inusitada de vocabulário corporal.
No entanto, este novo vocabulário que apareceu trata-se de uma experimentação estética, a qual não chamaria de arte. É um laboratório de estudos da forma, apenas beirando o conteúdo.
Destaco a presença no palco: o corpo vivo, verdadeiro, desperto, espontâneo. Destaco o mesmo cinismo, dissimulação e aguda inteligência de Machado de Assis: as complexas ciências biológicas, cênicas e corporais são representadas por esqueletos moribundos que engolem seus próprios ossos e viram do avesso, pegando ônibus na rua.
Tocou-me a singularidade, presença, vida, loucura, enfim, a arte de Maristela Estrela na cena da crioula douda dançante, sapateante, “oxunzada”: criação genuína, domínio da matéria, releitura surpreendente da cultura batucada.
Noto a recorrência de temas modernos: o belo é colocado em xeque; a discussão quanto ao espaço social da arte, expresso pelo “mal gosto”, expressões “chulas”, baixo ventre vivo; “devoração” de cultura primitiva, étnica, raízes; o intelectualismo acadêmico, herança, ainda, do cientificismo dezenovista, expresso pela frieza emocional, racionalidade conceitual; a herança de Brestch, no distanciamento não catártico, na sobreposição da intelectualidade sobre o sentimentalismo.
Um espetáculo-estudo profundo para quem tem olhos para ver. Não obstante, acho que já é hora do academicismo ceder e do intelectualismo dar lugar à vida.
terça-feira, 24 de maio de 2011
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Visita a um casal de velhinhos
Visita a um casal de velhinhos
Fui visitar um casal de velhinhos que vive em um casebre de um cômodo (paredes levantadas com telha sobreposta, sem laje – doada por crentes de sua igreja), na favela, a 50 metros de minha casa.
É um casal conhecido da família. A senhora sofre de Parkinson e não consegue caminhar ou fazer qualquer serviço doméstico.
Quando eu cheguei seus olhos se iluminaram. Era uma alegria tão bonita de se ver! Eu fixei meus olhos nos dela, para sorver de sua alegria, de seu entusiasmo. Logo iniciei a oração. Pedi ao Pai todo poderoso que adentrasse àquele lar, levando a paz, o amor, a sabedoria, o conforto. Pedi ao senhor Jesus que entrasse por aquela porta, espargindo ondas de conforto, de paz, de serenidade, de saúde, de caridade, de serviço, de amor ao próximo. Assim que terminei a oração a senhora, que mal balbucia palavras, disse:
- Seu nome é Rodrigo, né?
- Sim, respondi.
- Deus-Pai, abençoa ele, o Rodrigo. Abençoa o carro dele, que todos os caminhos dele estejam no Bem, livre ele de todo o mal... Eu dizia “obrigado” a cada frase balbuciada pela senhora. Ela me emocionou. Eu a agradeci de coração.
Ela me abençoou! Quão bom é ser abençoado! E ainda assim, por palavras de gratidão, tão solenes, balbuciadas pela senhora Deolinda.
Eu fui o maior beneficiado. Eu saí feliz daquele lar. Eu agradeci muito.
Fui visitar um casal de velhinhos que vive em um casebre de um cômodo (paredes levantadas com telha sobreposta, sem laje – doada por crentes de sua igreja), na favela, a 50 metros de minha casa.
É um casal conhecido da família. A senhora sofre de Parkinson e não consegue caminhar ou fazer qualquer serviço doméstico.
Quando eu cheguei seus olhos se iluminaram. Era uma alegria tão bonita de se ver! Eu fixei meus olhos nos dela, para sorver de sua alegria, de seu entusiasmo. Logo iniciei a oração. Pedi ao Pai todo poderoso que adentrasse àquele lar, levando a paz, o amor, a sabedoria, o conforto. Pedi ao senhor Jesus que entrasse por aquela porta, espargindo ondas de conforto, de paz, de serenidade, de saúde, de caridade, de serviço, de amor ao próximo. Assim que terminei a oração a senhora, que mal balbucia palavras, disse:
- Seu nome é Rodrigo, né?
- Sim, respondi.
- Deus-Pai, abençoa ele, o Rodrigo. Abençoa o carro dele, que todos os caminhos dele estejam no Bem, livre ele de todo o mal... Eu dizia “obrigado” a cada frase balbuciada pela senhora. Ela me emocionou. Eu a agradeci de coração.
Ela me abençoou! Quão bom é ser abençoado! E ainda assim, por palavras de gratidão, tão solenes, balbuciadas pela senhora Deolinda.
Eu fui o maior beneficiado. Eu saí feliz daquele lar. Eu agradeci muito.
segunda-feira, 21 de março de 2011
Para conduzir a criança ao bem ; a liberdade e a autoridade.
“Para conduzirmos a criança ao bem, devemos repreendê-la o menos possível. A repreensão grava duplamente o mau ato na mente da criança e provoca nela o desejo de repetir o mesmo mal. Obviamente, esse desejo pode ser freado pelo temor da repreensão. Mas seria esta a solução desejável? Poderíamos ficar satisfeitos só porque a criança não pratica exteriormente o mal quando, na verdade, em sua mente está sendo travada uma batalha entre dois males, ou seja, entre o desejo de praticar o mal e o sentimento maléfico chamado temor? Embora, nesse caso, a criança não esteja praticando exteriormente o mal, está praticando interiormente um duplo mal. Será realmente um ato benéfico devastar o santuário da mente infantil e roubar-lhe a liberdade da alma por meio do temor? Quem tem o direito de fazer isso?
Como, então, orientar uma criança quando ela se opõe obstinadamente aos pais? Em primeiro lugar, caro leitor, não despreze a criança, encarando-a como uma criança incapaz de raciocinar e entender a lógica. Não pense que não há outro meio de corrigi-la a não ser através da violência e da reprimenda. No interior da criança habita a natureza divina. A natureza divina é dotada de razão de Deus, é a própria lógica. Explique paciente e detalhadamente o porquê das coisas à criança, persuadindo-a como se falasse com um adulto. Se houver lógica no que você fala, a criança certamente ouvirá com prazer.
O fato de explicar à criança a razão das coisas traz duplo benefício: por um lado, desenvolve em sua mente a capacidade de raciocínio e dedução e, por outro lado, estabelece no lar a paz eterna.
É preciso dar à criança a liberdade de se expressar de maneira própria, peculiar. Entretanto, é dever dos pais e educadores orientar o pensamento e a vitalidade da criança para a direção certa. Entre os desejos da criança estão misturadas “ervas daninhas” que, se não forem removidas, dificultarão o desenvolvimento das qualidades que poderão dar belas flores e bons frutos. Certamente a individualidade da criança deve ser respeitada, mas isso não significa que se deva permitir-lhe fazer indiscriminadamente o que quiser. É preciso distinguir bem o que deve ser desenvolvido e o que deve ser removido, e desenvolver somente as boas qualidades.
Os pais não devem pensar que perderão a autoridade perante seus filhos se não os diminarem à força.
Quem força a criança a fazer algo que sua cabecinha considera absurdo, parecer-lhe-á um selvagem bruto, seja ele pai ou educador. Quando se emprega o método coercivo na educação, a criança ao contrário do que se espera, perde o respeito
pelos superiores e em seu interior nasce sentimento de revolta e desprezo para com eles."
A Verdade da Vida vol 14
Masaharu Taniguchi
“Para conduzirmos a criança ao bem, devemos repreendê-la o menos possível. A repreensão grava duplamente o mau ato na mente da criança e provoca nela o desejo de repetir o mesmo mal. Obviamente, esse desejo pode ser freado pelo temor da repreensão. Mas seria esta a solução desejável? Poderíamos ficar satisfeitos só porque a criança não pratica exteriormente o mal quando, na verdade, em sua mente está sendo travada uma batalha entre dois males, ou seja, entre o desejo de praticar o mal e o sentimento maléfico chamado temor? Embora, nesse caso, a criança não esteja praticando exteriormente o mal, está praticando interiormente um duplo mal. Será realmente um ato benéfico devastar o santuário da mente infantil e roubar-lhe a liberdade da alma por meio do temor? Quem tem o direito de fazer isso?
Como, então, orientar uma criança quando ela se opõe obstinadamente aos pais? Em primeiro lugar, caro leitor, não despreze a criança, encarando-a como uma criança incapaz de raciocinar e entender a lógica. Não pense que não há outro meio de corrigi-la a não ser através da violência e da reprimenda. No interior da criança habita a natureza divina. A natureza divina é dotada de razão de Deus, é a própria lógica. Explique paciente e detalhadamente o porquê das coisas à criança, persuadindo-a como se falasse com um adulto. Se houver lógica no que você fala, a criança certamente ouvirá com prazer.
O fato de explicar à criança a razão das coisas traz duplo benefício: por um lado, desenvolve em sua mente a capacidade de raciocínio e dedução e, por outro lado, estabelece no lar a paz eterna.
É preciso dar à criança a liberdade de se expressar de maneira própria, peculiar. Entretanto, é dever dos pais e educadores orientar o pensamento e a vitalidade da criança para a direção certa. Entre os desejos da criança estão misturadas “ervas daninhas” que, se não forem removidas, dificultarão o desenvolvimento das qualidades que poderão dar belas flores e bons frutos. Certamente a individualidade da criança deve ser respeitada, mas isso não significa que se deva permitir-lhe fazer indiscriminadamente o que quiser. É preciso distinguir bem o que deve ser desenvolvido e o que deve ser removido, e desenvolver somente as boas qualidades.
Os pais não devem pensar que perderão a autoridade perante seus filhos se não os diminarem à força.
Quem força a criança a fazer algo que sua cabecinha considera absurdo, parecer-lhe-á um selvagem bruto, seja ele pai ou educador. Quando se emprega o método coercivo na educação, a criança ao contrário do que se espera, perde o respeito
pelos superiores e em seu interior nasce sentimento de revolta e desprezo para com eles."
A Verdade da Vida vol 14
Masaharu Taniguchi
O que é Seicho-No-Ie
Participo ativamente de uma Organização chamada Seicho-No-Ie e levo uma vida cheia de emoção, alegria e verdadeiras dádivas. Os ensinamentos filosóficos de cunho religioso de sua doutrina abarcam os mais diversos problemas do homem moderno, tendo atualizado para linguagem simples e acessível a difícil Verdade do Zen budista e esclarecendo, a nós ocidentais, o que vem a ser o verdadeiro cristianismo. Trata-se de uma organização sem sectarismo religioso, de livre pensamento, que preconiza um modo de viver que traz à tona a verdadeira natureza humana, respeitando a natureza e o próximo.
Trata-se, de um ponto de vista mais amplo, de uma metodologia educacional da vida cotidiana extremamente eficaz, que melhora verdadeiramente as pessoas, especialmente as crianças, ensinando-nos como amar os pais, respeitar e ser útil à sociedade e viver em harmonia com o meio ambiente. Sendo uma filosofia muito ampla, todas as correntes educacionais, religiosas, humanas e organizacionais que visam ao bem estar do humano e progresso da sociedade, todas elas convergem para o modo de vida chamado Seicho-No-Ie. Indo mais a fundo, podemos dizer que a essência de tudo o que é bom é Seicho-No-Ie – sendo uma espécie de essência verdadeira de todas as coisas – não se trata de apenas uma Organização.
É dito que hoje a juventude não encontra razão de viver e a crescente depressão entre jovens atesta este dado. No entanto, eu, como jovem, tenho encontrado a verdadeira alegria de viver, e minha vida é verdadeiramente uma vida que vale a pena ser vivida.
Queridos amigos, é dever meu compartilhar com vocês o Oasis do qual tenho bebido. Desejo veementemente que as pessoas que amo juntem-se a mim e também desfrutem dessa verdadeira felicidade.
A felicidade do homem não é algo individual. Só serei verdadeiramente feliz quando as pessoas que amo também tornarem-se felizes. É algo coletivo, é algo de grupo. Por isso convido-lhes a conhecer a nossa Organização , o nosso modo de vida e o nosso pensamento. É para completar minha felicidade que lhe convido. Quando você se tornar feliz, aí então minha felicidade será completa.
Quero alertar-lhes que a Seicho-No-Ie é muito pretenciosa. Aqui dizemos que todos os problemas podem ser resolvidos e que a missão natural do ser humano é ser profundamente feliz. Muitos milagres acontecem, doenças incuráveis são sanadas, problemas aparentemente insolúveis se resolvem. Contudo, tudo tem seu tempo. Cristo disse: “Os que persistirem até o fim serão salvos”. Emanuel, o mentor de Chico Xavier, disse que há carmas que levam uma encarnação inteira para serem apagados. Mas não há dúvida de que o melhor método para anular os carmas é o modo de vida otimista e entusiasmado da Seicho-No-Ie. E como o tempo é algo fenomênico, passageiro, não há dúvida de que pensar positivo é o melhor Caminho. É por isso que a Seicho-No-Ie pode parecer pretenciosa demais, mas, do ponto de vista filosófico, isto está de acordo com o Ensinamento.
Estamos em consonância com todas as verdadeiras religiões; qualquer um que ler a Seicho-No-Ie entenderá melhor a própria religião e poderá vivenciá-la com maior profundidade. Aqueles que não tem religião aprenderão a reverenciar a Natureza mãe e se sentirão felizes, sentindo-se unos com o Planeta Vivo.
Sua ampla bibliografia, 800 livros em japonês (200 já traduzidos para o Português), abarca os mais amplos aspectos da vida humana, levando até eles Luz. “Pensamento iluminador”, esse é o lema de nosso Movimento. Qualquer que seja o aspecto da vida, sempre é possível observá-lo de um ponto de vista iluminador, o ponto de vista que enxerga motivos para agradecer em todos os acontecimentos.
Trata-se, de um ponto de vista mais amplo, de uma metodologia educacional da vida cotidiana extremamente eficaz, que melhora verdadeiramente as pessoas, especialmente as crianças, ensinando-nos como amar os pais, respeitar e ser útil à sociedade e viver em harmonia com o meio ambiente. Sendo uma filosofia muito ampla, todas as correntes educacionais, religiosas, humanas e organizacionais que visam ao bem estar do humano e progresso da sociedade, todas elas convergem para o modo de vida chamado Seicho-No-Ie. Indo mais a fundo, podemos dizer que a essência de tudo o que é bom é Seicho-No-Ie – sendo uma espécie de essência verdadeira de todas as coisas – não se trata de apenas uma Organização.
É dito que hoje a juventude não encontra razão de viver e a crescente depressão entre jovens atesta este dado. No entanto, eu, como jovem, tenho encontrado a verdadeira alegria de viver, e minha vida é verdadeiramente uma vida que vale a pena ser vivida.
Queridos amigos, é dever meu compartilhar com vocês o Oasis do qual tenho bebido. Desejo veementemente que as pessoas que amo juntem-se a mim e também desfrutem dessa verdadeira felicidade.
A felicidade do homem não é algo individual. Só serei verdadeiramente feliz quando as pessoas que amo também tornarem-se felizes. É algo coletivo, é algo de grupo. Por isso convido-lhes a conhecer a nossa Organização , o nosso modo de vida e o nosso pensamento. É para completar minha felicidade que lhe convido. Quando você se tornar feliz, aí então minha felicidade será completa.
Quero alertar-lhes que a Seicho-No-Ie é muito pretenciosa. Aqui dizemos que todos os problemas podem ser resolvidos e que a missão natural do ser humano é ser profundamente feliz. Muitos milagres acontecem, doenças incuráveis são sanadas, problemas aparentemente insolúveis se resolvem. Contudo, tudo tem seu tempo. Cristo disse: “Os que persistirem até o fim serão salvos”. Emanuel, o mentor de Chico Xavier, disse que há carmas que levam uma encarnação inteira para serem apagados. Mas não há dúvida de que o melhor método para anular os carmas é o modo de vida otimista e entusiasmado da Seicho-No-Ie. E como o tempo é algo fenomênico, passageiro, não há dúvida de que pensar positivo é o melhor Caminho. É por isso que a Seicho-No-Ie pode parecer pretenciosa demais, mas, do ponto de vista filosófico, isto está de acordo com o Ensinamento.
Estamos em consonância com todas as verdadeiras religiões; qualquer um que ler a Seicho-No-Ie entenderá melhor a própria religião e poderá vivenciá-la com maior profundidade. Aqueles que não tem religião aprenderão a reverenciar a Natureza mãe e se sentirão felizes, sentindo-se unos com o Planeta Vivo.
Sua ampla bibliografia, 800 livros em japonês (200 já traduzidos para o Português), abarca os mais amplos aspectos da vida humana, levando até eles Luz. “Pensamento iluminador”, esse é o lema de nosso Movimento. Qualquer que seja o aspecto da vida, sempre é possível observá-lo de um ponto de vista iluminador, o ponto de vista que enxerga motivos para agradecer em todos os acontecimentos.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Universidade livre do meio ambiente e Bosque alemão- CURITIBA
Inesquecível dia na Universidade livre do meio ambiente e no Jardim alemão: parece que nos transportamos para uma esfera superior; tudo era paz, alegria, beleza, leveza; as histórias que contávamos eram de paz; nossos olhos eram de paz; nossos projetos eram elevados, eram de paz. Foi o ambiente mais inspirador em que estivemos. Oxalá também inspire grandes homens a rearquitetar nossas cidades, nossa vida no meio ambiente. Com imagens do filme "Nosso lar" na cabeça, não foi difícil imaginar-nos nos jardins do Éden.
MEMORIAL RODRIGO DA ROSA
MEMORIAL RODRIGO DA ROSA
É contado que seus antepassados, os da família Franz, chegaram ao Brasil no final do século XIX. Vindos da Alemanha, aportaram no Rio Grande do Sul, tempo em que esta cidade falava mais o Espanhol, o castelhano, do que o Português. É sabido que preferiam as serras ao mar, e as terras serranas (frias) às quentes. Rancho Queimado é a cidade da serra catarinense na qual se instalaram os familiares diretos (bisavós) de Rodrigo da Rosa. Passei por lá em 2009. Que lindas terras! Que cuidado com tudo! Campinas verdejantes bem alinhadas e cuidadas; casas rigorosamente assuntadas.
É de saber honroso que me contam que Emilio Hartivig Franz, notadamente meu avô materno, aprendera alemão escrito antes do Português em colônia de Santa Catarina. É sabido também que fora proibido de falar o idioma germânico assim que Getúlio Vargas posicionou-se frente à 2ª Guerra Mundial. Os causos dizem que aprendeu um pouco de português escrito com minha avó. Contara-me ela, de nome Edith Maria Borges dos Santos Franz, a mulher mais espetacular que conheci, que o irmão de Hartivig, o seu cunhado, fora preso naquele então de pós guerra. Tomara umas cachaças e desatara-se a cantar na língua de Goeth; diz-se que soldados, ou militares, meteram-lhe o cacete e encarceraram-no por algum tempo. Foi assim que a família Franz participou de modo subversivo da história do país.
Da família Borges guardo alguma semelhança como Jorge Luis Borges; embora essa correlação seja improvável agrada-me a sonoridade dos nomes.
Da família da Rosa, tenho que dizer que proveio da Ilha dos Açores, nos mesmos meados do fim do século XIX. Chegaram a Porto Alegre e aí instalaram-se demoradamente. A linhagem de fato se dispersou, percorrendo os interiores do estado, Santa Catarina e Paraná. Soube de alguns que se instalaram no interior de São Paulo e no Rio de Janeiro. Não soube de outros que não nós em São Paulo capital.
Lá pelos interiores de Santa Catarina miscigenou-se com alguma ou algumas famílias de indígenas, daí o cabelo negro e liso e a coloração levemente morena da pele de alguns. Os portugueses, como se sabe, não têm uma estirpe predominante. Desde as navegações misturaram-se com o mundo todo. Por fim não existe pureza alguma de raça. O próprio conceito de raça é cientificamente incorreto. Existe apenas a espécie humana.
É certo que os da Rosa instalaram-se numa região de tropeiros, fazendo comércio ou vivendo às matas, com alguma cultura. Meu falecido pai, que Deus o tenha, costumava falar do italianos, seus vizinhos, na região da baixa serra catarinense. Gostava deles: via em sua testa franzida e em seus olhos a cena: cabelos castanhos escuros, mesa de madeira cumprida e larga; gentaiada toda ali, na ordem, seriedade e ciso; tudo na hora de deveras; no prumo, às ordem do chefe da família; todos corretos comendo polenta e as macarronada da mama.
Parece-me que meu avô passou por dificuldade econômicas na região em que sentou praça, no Sapato, SC. E foi lá onde meu pai conhecera minha mãe.
Meu pai fora uma pessoa verdadeiramente correta. Ainda o é. Ensinou-me a aproveitar o tempo. Ensinou-me o amor ao trabalho. Ensinou-me cousas, como sorrir feito menino e gargalhar sonoramente.
Minha vida foi um comércio, uma mercearia, um bar – era aí onde vivia, de lá via o povo, me relacionava com as pessoas. Tinha um caderninho de contas, onde constava Nega Viva, José de Souza (O Zé pretinho), Seu Antártica, Jorge Bahia, Amâncio... Nomes que não sumirão de minha memória, por ser de personagens que nunca mais encontrarei.
Hoje, pensando... d”o bar” (como chamávamos) veio quase tudo: a sociedade, as pessoas, os papéis, as classes, tudo que conheci fora de mim era d”o bar”. Depois nem era mais bar, mas pegou de se falar “o bar”. Ali aprendi, graças ao meu pai, a estar sempre atento a tudo, a ser atencioso com os fregueses, a procurar melhorar e ajeitar sempre o ambiente ao meu redor. Meu ego não gostava disso naquele tempo, mas como o ego é infantil, hoje reconheço: o que se decantou daquela experiência é muito valioso.
Era no bar onde divulgávamos as revistas Seicho-No-Ie. Meus pais haviam sido Dendoin (Divulgadores) e havia uma quantidade imensa de revistas para divulgação. Acontece que um dia papai ficou sentido porque se sentiu menosprezado por um superior seu, dentro da Organização. Dali, então, deixou de trabalhar para o Movimento. Minha fizera reuniões em casa, as chamadas reuniões de vizinhança – isso quando eu era bastante criança. Depois, como “o bar” consumia muito tempo, deixou de realizá-las, juntamente com a decepção de meu pai.
Eu também já me decepcionei com pessoas. Elas parecem tão boas e tão amigas, mas acontece de um dia falhar. Certamente, também sou assim. O profº Taniguchi escreveu: “Por que esse mundo é desigual? Porque nossa mente o é, porque há desigualdade em nossa mente.” Essas palavras me impressionaram muito. Elas encerram a lei de causa e efeito. É preciso ter docilidade, ou seja, renúncia ao seu eu, ao seu ego, para aceitar a justiça perfeita de Deus. Acreditar de coração que a justiça de Deus é perfeita é aceitar que só tenho o que mereço. Se me decepcionaram e me sinto sentido por isso é porque já decepcionei alguém e o deixei sentido. É muito difícil aceitar isso, mas creio que seja a verdade. Estou me esforçando para aceitar essa verdade de coração.
Pois bem, quando meus pais se afastaram do movimento, nós, seus filhos, perdemos muito com isso. Perdemos as reuniões de criança, os Seminários e a maravilhosa Ibiúna. Deus do céu, gostaria que o mundo todo fosse à Academia de Ibiúna! Como esse mundo será mais belo quando todos reconhecerem que o amor e a alegria verdadeiros estão bem perto de nós! Estive em Ibiúna com cinco anos e retornei lá aos 15 anos. Quando eu tinha 13 anos, minha mãe comprou um convite para mim e meu irmão irmos à Convenção Juvenil, na Sede Central. Meu ego era tão grande, com apenas 13 anos, que não fiz um mínimo esforço para ir. Uma leve sensação de mal estar, sentida na porta do evento, me fez desistir de entrar e voltamos para casa. Quanto tempo eu perdi! Quem sabe se tivesse entrado naquela portaria teria mudado um pouco meu destino! Oh, adolescência e juventude! Por que não obedecem aos mais velhos?! São tão cabeça-dura!
Estimados amigos, não abandonem o Movimento de Paz pela Fé! Vocês se decepcionarão sim, com as pessoas, isso será inevitável! O Movimento fenomênico é imperfeito, as pessoas são imperfeitas, de fato! Mas fora do Movimento, o que você irá encontrar? Permaneça no Movimento, mesmo que se sinta cansado, mesmo que lhe pareça repetitivo e sem eficácia; mesmo que você não consiga resolver seus problemas pessoais – com o tempo tudo vai melhorando e evoluindo. Nós não conseguimos medir o quanto somos beneficiados por trabalhar para a Seicho-No-Ie, o quanto ela é importante para nossos filhos, para as gerações que virão.
O mundo é justo. Mas não delicado e antisséptico. O corpo pede atividade. Vida antinatural é vida sedentária e antisséptica. Os próprios remédios/ vacinas antialérgicos contém poeira e germes em sua fórmula. Não é melhor enfrentar a vida e criar anticorpos naturalmente?
A vida é justa, mas não é de cristal. Se você não estiver atento e se esforçar, a vida te obrigará a isso através da dor. Quem se acomoda ante as facilidades, quem gosta de sombra e água fresca está criando perturbações ou doenças terríveis que o obrigarão a se mexer e a mudar. Quem odiou com toda a força, desrespeitando as leis da mente, sofrerá muito com a dor física e mental. Assim é a justiça.
Pois bem, era um menino de muito ego, muito exigente, falante e espalhafatoso. Gostava da rua, e até demais, pois meu pai me tirou de lá com uma surra bem dada, e merecida, aos meus 13. Certa vez, agradecendo a papai na Seicho-no-ie, chorei e lembrei-me de agradecer-lhe com emoção àquele chacoalhão. Chegando à adolescência, calei-me. De tão racional, calculista e egoico, acho que resolvi calar-me para não errar, para que não percebem minhas falhas. Que desperdício de vida! De extrovertido por natureza, tornei-me introspectivo. Só ultimamente tenho redescoberto minha extroversão natural por meio do Clown.
Aos 13 ingressei no grupo de Teatro Nossa Terra, de minha cidade. Ali cresci muito, embora me adulterasse também. Aprendi o gosto pelos textos, pela arte. Ali fui reconhecido e tive o grupo sonhado da adolescência. Na escola, eu era um ET, de apelido “Esquisitão”. No grupo de teatro, todos me reconheciam. Aos 15 fui à Academia de Ibiúna por primeira vez e participei de um grupo de Teatro na regional São Paulo Pinheiros, com a memorável Eliane Pacheco. Eu gostava dos amigos da Seicho-No-Ie, mas também gostava dos amigos do teatro. Como se dentro de mim tivesse a Natureza divina puxando para um lado e os desejos materiais puxando-me para outro. Assim, meu envolvimento com o Movimento da Seicho-No-Ie foi intermitente. Em 2000 fui vice-presidente da AL Campo Limpo. Em 2009, fui vice-presidente novamente. E em 2010 sigo como presidente da Associação Local dos jovens.
Antes disso, tenho que dizer que na infância e na adolescência tive doenças, todas advindas do medo de adoecer, outras por mágoa. Elas me aproximaram de Deus e dali comecei a ler avidamente os livros da Seicho-No-Ie e do Espiritismo. Tornei-me um grande conhecedor no início da adolescência e teve um momento na escola em que era chamado de “o conselheiro”.
Não posso omitir que com 16 comecei a cantar no Coral das Artes de Embu. Cantei por sete anos ininterruptos. Com ele, além de aprender muito sobre música, arte e convivência em grupo, pude viajar muito pelo Brasil e pelo mundo, como Argentina, Portugal e Itália. Devo muita gratidão a todos, especialmente ao maestro Daniel Vieira.
Em 2002, graças às práticas da Seicho-No-Ie, convicção, fé, ingressei na famigerada Universidade de São Paulo, no curso de Letras. Quando tive contato com autores como Marx, Nitzchie, Deleuze, Foucault e outros, abandonei a Seicho-No-Ie. Foi um período doloroso, pois foi como se perdesse a minha narrativa principal. Os problemas insolúveis vieram e tive de retornar à casa do Pai. Por fim, hoje vejo que foi bom passar por essa fase, pois os ensinamentos da Seicho-No-Ie saem vitoriosos mesmo tendo seus princípios contestados por grandes pensadores canonizados. O teísmo sai vitorioso para aqueles que têm sensibilidade, mais do que intelectualidade. Quando ainda estava na Universidade quis demonstrar isso a meus colegas: montei grupo de meditação e distribuí um texto no qual relatava meu despertar. Não posso dizer que foi aquele sucesso...
PROFISSÃO: PROFESSOR
Intuía que amaria ser professor, amaria ensinar. Na prática inicial fracassei – era demasiado complexo ser mestre. Então detestei sê-lo debrucei-me nos livros para ser um pesquisador e posteriormente lecionar em Universidade. Depois de dois anos preparando projeto, assistindo matéria como aluno especial, descobri que não era meu caminho. Eu teria de enfrentar a escola, os alunos difíceis, a periferia, a ignorância, a carência, a indisciplina ou a nova classe média, ignorante e esnobe – eu pensava naquele tempo.
Deus do Céu, como sofri em meus primeiros anos como professor! Lecionei para todas as séries, desde maternal até Ensino Médio, sendo professor particular de Espanhol também para adultos. Lecionei em escolas públicas, privadas de todo tipo, empresas, escritórios, casas... Com contrato, CLT, sem contrato, contrato verbal, estagiário, concursado...as oportunidades vinham, era como se eu tivesse de passar por todas as experiências docentes possíveis. Eu as enfrentei, sem desistir.
PROFESSOR: MISSÃO SAGRADA
Em 2008 encontrei-me sem saída e retornei à Seicho-No-Ie com toda a força. Um mundo construído por minha própria força era instável e imprevisível – mas um mundo segundo a vontade Deus era o único que poderia me proporcionar paz. Foi espantoso o despertar alcançado: era como se renascesse de novo, e era isso que todos diziam. Somente a partir desse momento, desse despertar, comecei a ver meus alunos de outra maneira e o professor começou a surgir dentro de mim. Em 2009 fui ao Seminário para educadores, em Ibiúna. Maravilhoso! 2009 parecia ser o ano de minha grande guinada.
Entendi profundamente que os alunos são a projeção da mente do professor e que cada professor tem os alunos que “merece”. Ou seja, cada professor encontra alunos semelhantes às suas vibrações mentais. “Aquele que purificou a mente ingressa em um mundo... elevado, adequado a ele. Aquele que não purificou a mente, cria com sua força mental um ambiente adequado a ele e padece neste ambiente”. O princípio é o mesmo para este mundo. Alunos difíceis servem para que purifiquemos nossa mente. Mas, é melhor pelo amor do que pela dor, não é? Quero dizer que se manifestarmos amor, nos purificaremos, e não encontraremos alunos tão difíceis.
Eu estava decidido a não trabalhar mais com adolescentes, pois tivera experiência deveras dolorosa em 2007. Contudo, com meu renascimento, decidi que enfrentaria o que Deus me desse.
No segundo semestre de 2008 tudo começou a mudar. O concurso no qual havia passado, para professor de EF II, e que havia desistido porque não queria enfrentar este ciclo, chamou-me para assumir novamente. Assumi. Fui lecionar numa periferia bastante difícil. Noites sem dormir, conflitos na sala de aula, problemas de indisciplina e desarmonia total. Eu poderia ter desistido, eu até pensei nisso. Mas intensifiquei minhas orações e fortaleci a fé: se os alunos são espelho da minha mente, quando harmonizá-la, os alunos também se harmonizarão. Foi o que aconteceu, como milagre! Após maratonas de orações para cada aluno, no oratório de minha casa, presenciei a grande mudança: alunos interessados, dóceis, atenciosos, e a aula fluindo de vento em popa. Voltando para casa chorei de emoção, agradeci muito a Deus e decidi ser um educador do amor.
No ano de 2010 iniciei os estudos do CEEV. Eu, que um professor inexpressivo, desrespeitado e muitas vezes ignorado pelos alunos, passei a ser amado por todos. Os outros professores e a direção passaram a me admirar. Eu mantive a humildade, sempre agradecendo, abençoando a tudo e a todos e orando pela felicidade dos demais.
Esta é a minha pequena biografia como educador. Daqui para diante certamente construirei tesouros ainda mais valiosos.
É contado que seus antepassados, os da família Franz, chegaram ao Brasil no final do século XIX. Vindos da Alemanha, aportaram no Rio Grande do Sul, tempo em que esta cidade falava mais o Espanhol, o castelhano, do que o Português. É sabido que preferiam as serras ao mar, e as terras serranas (frias) às quentes. Rancho Queimado é a cidade da serra catarinense na qual se instalaram os familiares diretos (bisavós) de Rodrigo da Rosa. Passei por lá em 2009. Que lindas terras! Que cuidado com tudo! Campinas verdejantes bem alinhadas e cuidadas; casas rigorosamente assuntadas.
É de saber honroso que me contam que Emilio Hartivig Franz, notadamente meu avô materno, aprendera alemão escrito antes do Português em colônia de Santa Catarina. É sabido também que fora proibido de falar o idioma germânico assim que Getúlio Vargas posicionou-se frente à 2ª Guerra Mundial. Os causos dizem que aprendeu um pouco de português escrito com minha avó. Contara-me ela, de nome Edith Maria Borges dos Santos Franz, a mulher mais espetacular que conheci, que o irmão de Hartivig, o seu cunhado, fora preso naquele então de pós guerra. Tomara umas cachaças e desatara-se a cantar na língua de Goeth; diz-se que soldados, ou militares, meteram-lhe o cacete e encarceraram-no por algum tempo. Foi assim que a família Franz participou de modo subversivo da história do país.
Da família Borges guardo alguma semelhança como Jorge Luis Borges; embora essa correlação seja improvável agrada-me a sonoridade dos nomes.
Da família da Rosa, tenho que dizer que proveio da Ilha dos Açores, nos mesmos meados do fim do século XIX. Chegaram a Porto Alegre e aí instalaram-se demoradamente. A linhagem de fato se dispersou, percorrendo os interiores do estado, Santa Catarina e Paraná. Soube de alguns que se instalaram no interior de São Paulo e no Rio de Janeiro. Não soube de outros que não nós em São Paulo capital.
Lá pelos interiores de Santa Catarina miscigenou-se com alguma ou algumas famílias de indígenas, daí o cabelo negro e liso e a coloração levemente morena da pele de alguns. Os portugueses, como se sabe, não têm uma estirpe predominante. Desde as navegações misturaram-se com o mundo todo. Por fim não existe pureza alguma de raça. O próprio conceito de raça é cientificamente incorreto. Existe apenas a espécie humana.
É certo que os da Rosa instalaram-se numa região de tropeiros, fazendo comércio ou vivendo às matas, com alguma cultura. Meu falecido pai, que Deus o tenha, costumava falar do italianos, seus vizinhos, na região da baixa serra catarinense. Gostava deles: via em sua testa franzida e em seus olhos a cena: cabelos castanhos escuros, mesa de madeira cumprida e larga; gentaiada toda ali, na ordem, seriedade e ciso; tudo na hora de deveras; no prumo, às ordem do chefe da família; todos corretos comendo polenta e as macarronada da mama.
Parece-me que meu avô passou por dificuldade econômicas na região em que sentou praça, no Sapato, SC. E foi lá onde meu pai conhecera minha mãe.
Meu pai fora uma pessoa verdadeiramente correta. Ainda o é. Ensinou-me a aproveitar o tempo. Ensinou-me o amor ao trabalho. Ensinou-me cousas, como sorrir feito menino e gargalhar sonoramente.
Minha vida foi um comércio, uma mercearia, um bar – era aí onde vivia, de lá via o povo, me relacionava com as pessoas. Tinha um caderninho de contas, onde constava Nega Viva, José de Souza (O Zé pretinho), Seu Antártica, Jorge Bahia, Amâncio... Nomes que não sumirão de minha memória, por ser de personagens que nunca mais encontrarei.
Hoje, pensando... d”o bar” (como chamávamos) veio quase tudo: a sociedade, as pessoas, os papéis, as classes, tudo que conheci fora de mim era d”o bar”. Depois nem era mais bar, mas pegou de se falar “o bar”. Ali aprendi, graças ao meu pai, a estar sempre atento a tudo, a ser atencioso com os fregueses, a procurar melhorar e ajeitar sempre o ambiente ao meu redor. Meu ego não gostava disso naquele tempo, mas como o ego é infantil, hoje reconheço: o que se decantou daquela experiência é muito valioso.
Era no bar onde divulgávamos as revistas Seicho-No-Ie. Meus pais haviam sido Dendoin (Divulgadores) e havia uma quantidade imensa de revistas para divulgação. Acontece que um dia papai ficou sentido porque se sentiu menosprezado por um superior seu, dentro da Organização. Dali, então, deixou de trabalhar para o Movimento. Minha fizera reuniões em casa, as chamadas reuniões de vizinhança – isso quando eu era bastante criança. Depois, como “o bar” consumia muito tempo, deixou de realizá-las, juntamente com a decepção de meu pai.
Eu também já me decepcionei com pessoas. Elas parecem tão boas e tão amigas, mas acontece de um dia falhar. Certamente, também sou assim. O profº Taniguchi escreveu: “Por que esse mundo é desigual? Porque nossa mente o é, porque há desigualdade em nossa mente.” Essas palavras me impressionaram muito. Elas encerram a lei de causa e efeito. É preciso ter docilidade, ou seja, renúncia ao seu eu, ao seu ego, para aceitar a justiça perfeita de Deus. Acreditar de coração que a justiça de Deus é perfeita é aceitar que só tenho o que mereço. Se me decepcionaram e me sinto sentido por isso é porque já decepcionei alguém e o deixei sentido. É muito difícil aceitar isso, mas creio que seja a verdade. Estou me esforçando para aceitar essa verdade de coração.
Pois bem, quando meus pais se afastaram do movimento, nós, seus filhos, perdemos muito com isso. Perdemos as reuniões de criança, os Seminários e a maravilhosa Ibiúna. Deus do céu, gostaria que o mundo todo fosse à Academia de Ibiúna! Como esse mundo será mais belo quando todos reconhecerem que o amor e a alegria verdadeiros estão bem perto de nós! Estive em Ibiúna com cinco anos e retornei lá aos 15 anos. Quando eu tinha 13 anos, minha mãe comprou um convite para mim e meu irmão irmos à Convenção Juvenil, na Sede Central. Meu ego era tão grande, com apenas 13 anos, que não fiz um mínimo esforço para ir. Uma leve sensação de mal estar, sentida na porta do evento, me fez desistir de entrar e voltamos para casa. Quanto tempo eu perdi! Quem sabe se tivesse entrado naquela portaria teria mudado um pouco meu destino! Oh, adolescência e juventude! Por que não obedecem aos mais velhos?! São tão cabeça-dura!
Estimados amigos, não abandonem o Movimento de Paz pela Fé! Vocês se decepcionarão sim, com as pessoas, isso será inevitável! O Movimento fenomênico é imperfeito, as pessoas são imperfeitas, de fato! Mas fora do Movimento, o que você irá encontrar? Permaneça no Movimento, mesmo que se sinta cansado, mesmo que lhe pareça repetitivo e sem eficácia; mesmo que você não consiga resolver seus problemas pessoais – com o tempo tudo vai melhorando e evoluindo. Nós não conseguimos medir o quanto somos beneficiados por trabalhar para a Seicho-No-Ie, o quanto ela é importante para nossos filhos, para as gerações que virão.
O mundo é justo. Mas não delicado e antisséptico. O corpo pede atividade. Vida antinatural é vida sedentária e antisséptica. Os próprios remédios/ vacinas antialérgicos contém poeira e germes em sua fórmula. Não é melhor enfrentar a vida e criar anticorpos naturalmente?
A vida é justa, mas não é de cristal. Se você não estiver atento e se esforçar, a vida te obrigará a isso através da dor. Quem se acomoda ante as facilidades, quem gosta de sombra e água fresca está criando perturbações ou doenças terríveis que o obrigarão a se mexer e a mudar. Quem odiou com toda a força, desrespeitando as leis da mente, sofrerá muito com a dor física e mental. Assim é a justiça.
Pois bem, era um menino de muito ego, muito exigente, falante e espalhafatoso. Gostava da rua, e até demais, pois meu pai me tirou de lá com uma surra bem dada, e merecida, aos meus 13. Certa vez, agradecendo a papai na Seicho-no-ie, chorei e lembrei-me de agradecer-lhe com emoção àquele chacoalhão. Chegando à adolescência, calei-me. De tão racional, calculista e egoico, acho que resolvi calar-me para não errar, para que não percebem minhas falhas. Que desperdício de vida! De extrovertido por natureza, tornei-me introspectivo. Só ultimamente tenho redescoberto minha extroversão natural por meio do Clown.
Aos 13 ingressei no grupo de Teatro Nossa Terra, de minha cidade. Ali cresci muito, embora me adulterasse também. Aprendi o gosto pelos textos, pela arte. Ali fui reconhecido e tive o grupo sonhado da adolescência. Na escola, eu era um ET, de apelido “Esquisitão”. No grupo de teatro, todos me reconheciam. Aos 15 fui à Academia de Ibiúna por primeira vez e participei de um grupo de Teatro na regional São Paulo Pinheiros, com a memorável Eliane Pacheco. Eu gostava dos amigos da Seicho-No-Ie, mas também gostava dos amigos do teatro. Como se dentro de mim tivesse a Natureza divina puxando para um lado e os desejos materiais puxando-me para outro. Assim, meu envolvimento com o Movimento da Seicho-No-Ie foi intermitente. Em 2000 fui vice-presidente da AL Campo Limpo. Em 2009, fui vice-presidente novamente. E em 2010 sigo como presidente da Associação Local dos jovens.
Antes disso, tenho que dizer que na infância e na adolescência tive doenças, todas advindas do medo de adoecer, outras por mágoa. Elas me aproximaram de Deus e dali comecei a ler avidamente os livros da Seicho-No-Ie e do Espiritismo. Tornei-me um grande conhecedor no início da adolescência e teve um momento na escola em que era chamado de “o conselheiro”.
Não posso omitir que com 16 comecei a cantar no Coral das Artes de Embu. Cantei por sete anos ininterruptos. Com ele, além de aprender muito sobre música, arte e convivência em grupo, pude viajar muito pelo Brasil e pelo mundo, como Argentina, Portugal e Itália. Devo muita gratidão a todos, especialmente ao maestro Daniel Vieira.
Em 2002, graças às práticas da Seicho-No-Ie, convicção, fé, ingressei na famigerada Universidade de São Paulo, no curso de Letras. Quando tive contato com autores como Marx, Nitzchie, Deleuze, Foucault e outros, abandonei a Seicho-No-Ie. Foi um período doloroso, pois foi como se perdesse a minha narrativa principal. Os problemas insolúveis vieram e tive de retornar à casa do Pai. Por fim, hoje vejo que foi bom passar por essa fase, pois os ensinamentos da Seicho-No-Ie saem vitoriosos mesmo tendo seus princípios contestados por grandes pensadores canonizados. O teísmo sai vitorioso para aqueles que têm sensibilidade, mais do que intelectualidade. Quando ainda estava na Universidade quis demonstrar isso a meus colegas: montei grupo de meditação e distribuí um texto no qual relatava meu despertar. Não posso dizer que foi aquele sucesso...
PROFISSÃO: PROFESSOR
Intuía que amaria ser professor, amaria ensinar. Na prática inicial fracassei – era demasiado complexo ser mestre. Então detestei sê-lo debrucei-me nos livros para ser um pesquisador e posteriormente lecionar em Universidade. Depois de dois anos preparando projeto, assistindo matéria como aluno especial, descobri que não era meu caminho. Eu teria de enfrentar a escola, os alunos difíceis, a periferia, a ignorância, a carência, a indisciplina ou a nova classe média, ignorante e esnobe – eu pensava naquele tempo.
Deus do Céu, como sofri em meus primeiros anos como professor! Lecionei para todas as séries, desde maternal até Ensino Médio, sendo professor particular de Espanhol também para adultos. Lecionei em escolas públicas, privadas de todo tipo, empresas, escritórios, casas... Com contrato, CLT, sem contrato, contrato verbal, estagiário, concursado...as oportunidades vinham, era como se eu tivesse de passar por todas as experiências docentes possíveis. Eu as enfrentei, sem desistir.
PROFESSOR: MISSÃO SAGRADA
Em 2008 encontrei-me sem saída e retornei à Seicho-No-Ie com toda a força. Um mundo construído por minha própria força era instável e imprevisível – mas um mundo segundo a vontade Deus era o único que poderia me proporcionar paz. Foi espantoso o despertar alcançado: era como se renascesse de novo, e era isso que todos diziam. Somente a partir desse momento, desse despertar, comecei a ver meus alunos de outra maneira e o professor começou a surgir dentro de mim. Em 2009 fui ao Seminário para educadores, em Ibiúna. Maravilhoso! 2009 parecia ser o ano de minha grande guinada.
Entendi profundamente que os alunos são a projeção da mente do professor e que cada professor tem os alunos que “merece”. Ou seja, cada professor encontra alunos semelhantes às suas vibrações mentais. “Aquele que purificou a mente ingressa em um mundo... elevado, adequado a ele. Aquele que não purificou a mente, cria com sua força mental um ambiente adequado a ele e padece neste ambiente”. O princípio é o mesmo para este mundo. Alunos difíceis servem para que purifiquemos nossa mente. Mas, é melhor pelo amor do que pela dor, não é? Quero dizer que se manifestarmos amor, nos purificaremos, e não encontraremos alunos tão difíceis.
Eu estava decidido a não trabalhar mais com adolescentes, pois tivera experiência deveras dolorosa em 2007. Contudo, com meu renascimento, decidi que enfrentaria o que Deus me desse.
No segundo semestre de 2008 tudo começou a mudar. O concurso no qual havia passado, para professor de EF II, e que havia desistido porque não queria enfrentar este ciclo, chamou-me para assumir novamente. Assumi. Fui lecionar numa periferia bastante difícil. Noites sem dormir, conflitos na sala de aula, problemas de indisciplina e desarmonia total. Eu poderia ter desistido, eu até pensei nisso. Mas intensifiquei minhas orações e fortaleci a fé: se os alunos são espelho da minha mente, quando harmonizá-la, os alunos também se harmonizarão. Foi o que aconteceu, como milagre! Após maratonas de orações para cada aluno, no oratório de minha casa, presenciei a grande mudança: alunos interessados, dóceis, atenciosos, e a aula fluindo de vento em popa. Voltando para casa chorei de emoção, agradeci muito a Deus e decidi ser um educador do amor.
No ano de 2010 iniciei os estudos do CEEV. Eu, que um professor inexpressivo, desrespeitado e muitas vezes ignorado pelos alunos, passei a ser amado por todos. Os outros professores e a direção passaram a me admirar. Eu mantive a humildade, sempre agradecendo, abençoando a tudo e a todos e orando pela felicidade dos demais.
Esta é a minha pequena biografia como educador. Daqui para diante certamente construirei tesouros ainda mais valiosos.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Encontro
Quisera encontrar-te em meio à natureza.
Onde o mar,
suave,
límpido
celebrasse
com sua telúrica música
o encontro de Amor à vida.
E as montanhas,
Com seu verde vigor,
estonteantes cerros,
reverenciassem a dança
de almas felizes e tranquilas
pelo reencontro neste mundo.
A Natureza reverencia o encontro de duas almas.
O vento saúda-nos
e integra-nos à Vida.
Delicadamente nos afaga
os corpos
e os cabelos,
lembrando que não há vazio
nem desunião.
Os ventos percorrem
felizes
os entornos de nossa presença no mundo.
Os pássaros cantam
enaltecendo o belo profundo de nossas almas.
O céu
Imenso e azul
irmana-se a nossos olhos,
suaviza nossa aura,
como a auréola que envolve seres grandiosos.
O Sol
acompanhado pela suave aurora
que apresenta seus dedos róseos,
canta com resplendor o hino à Nova Vida.
Seus luminosos raios
transpassam-nos
alimentando nossa Luz interior.
As árvores vigorosas
cantam continuamente o hino à força da Vida
e estão em nós.
Plenificam-se pela harmonia de nossa respiração.
Caminhamos sobre as folhas
e com grande prazer e felicidade respiramos o dadivoso ar.
Nossos passos são dançantes porque compreendemos,
com nossos sentidos e alma,
a música da Natureza.
Pássaros multi-colores
de beleza indescritível
reúnem-se ao nosso redor.
Eles cantam alegremente, com força e doçura.
Sua leveza e graça nos enchem de encanto e alegria.
As aves celestes cantam o mais belo Hino de louvor à Vida
e reverenciam as duas almas que se reencontraram
no mavioso cenário da vida.
As duas almas caminham, vivazes,
pela Natureza,
e desabrocham,
uma após outra,
flores das mais variadas cores e fragrâncias,
formando vasto campo ao redor dos seres amados.
As belas flores são reflexos
do elevado desejo de ajudar o próximo
que nasce do âmago da alma.
O ser amado colhe clívias,
rosas, crisântemos, cravos, gerânios
e adorna a amada alma que reencontrou.
A Natureza se revigora com o Belo.
Os seres brilham mais ainda com o Belo.
As suaves flores não são matéria.
Elas são o desejo de alegrar o próximo,
elas são a materialização do amor do ser espiritual.
Bastante próximo dali
ouvem-se risos de crianças
que brincam alegremente.
- Oh, amadas crianças! Venham até nós!
Deixem-nos contemplar suas belas faces risonhas!
Deixem-nos ouvir suas alegres vozes e ver seus corpos dançantes!
As crianças têm a face iluminada pela profunda alegria da alma.
Elas fazem uma roda com os seres amados
e dançam cantigas de roda, cantando com suas vozes puras e verdadeiras.
As crianças estão adornadas com lindas pedras preciosas.
São pedras azuis, verdes, vermelhas de inefável beleza.
Um dos seres diz:
- Flores
Pétalas de flores emanam de meu ser
por ti
Quisera encontrar-te em meio à natureza.
Onde o mar,
suave,
límpido
celebrasse
com sua telúrica música
o encontro de Amor à vida.
E as montanhas,
Com seu verde vigor,
estonteantes cerros,
reverenciassem a dança
de almas felizes e tranquilas
pelo reencontro neste mundo.
A Natureza reverencia o encontro de duas almas.
O vento saúda-nos
e integra-nos à Vida.
Delicadamente nos afaga
os corpos
e os cabelos,
lembrando que não há vazio
nem desunião.
Os ventos percorrem
felizes
os entornos de nossa presença no mundo.
Os pássaros cantam
enaltecendo o belo profundo de nossas almas.
O céu
Imenso e azul
irmana-se a nossos olhos,
suaviza nossa aura,
como a auréola que envolve seres grandiosos.
O Sol
acompanhado pela suave aurora
que apresenta seus dedos róseos,
canta com resplendor o hino à Nova Vida.
Seus luminosos raios
transpassam-nos
alimentando nossa Luz interior.
As árvores vigorosas
cantam continuamente o hino à força da Vida
e estão em nós.
Plenificam-se pela harmonia de nossa respiração.
Caminhamos sobre as folhas
e com grande prazer e felicidade respiramos o dadivoso ar.
Nossos passos são dançantes porque compreendemos,
com nossos sentidos e alma,
a música da Natureza.
Pássaros multi-colores
de beleza indescritível
reúnem-se ao nosso redor.
Eles cantam alegremente, com força e doçura.
Sua leveza e graça nos enchem de encanto e alegria.
As aves celestes cantam o mais belo Hino de louvor à Vida
e reverenciam as duas almas que se reencontraram
no mavioso cenário da vida.
As duas almas caminham, vivazes,
pela Natureza,
e desabrocham,
uma após outra,
flores das mais variadas cores e fragrâncias,
formando vasto campo ao redor dos seres amados.
As belas flores são reflexos
do elevado desejo de ajudar o próximo
que nasce do âmago da alma.
O ser amado colhe clívias,
rosas, crisântemos, cravos, gerânios
e adorna a amada alma que reencontrou.
A Natureza se revigora com o Belo.
Os seres brilham mais ainda com o Belo.
As suaves flores não são matéria.
Elas são o desejo de alegrar o próximo,
elas são a materialização do amor do ser espiritual.
Bastante próximo dali
ouvem-se risos de crianças
que brincam alegremente.
- Oh, amadas crianças! Venham até nós!
Deixem-nos contemplar suas belas faces risonhas!
Deixem-nos ouvir suas alegres vozes e ver seus corpos dançantes!
As crianças têm a face iluminada pela profunda alegria da alma.
Elas fazem uma roda com os seres amados
e dançam cantigas de roda, cantando com suas vozes puras e verdadeiras.
As crianças estão adornadas com lindas pedras preciosas.
São pedras azuis, verdes, vermelhas de inefável beleza.
Um dos seres diz:
- Flores
Pétalas de flores emanam de meu ser
por ti
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